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Levantamento de espécies arbustivas e arbóreas da vegetação da Bacia do Alto Juquiá, SP

Foi iniciado em 2005, o levantamento das espécies arbustivas e arbóreas na região da Bacia do Alto Juquiá através, primeiramente, de levantamentos fitossociológicos (com vista em estudar a estrutura de trechos de Floresta Ombrófila Densa regionais), realizados em diferentes formações secundárias distribuídas próxima à propriedade do Viveiro Maria Tereza, na Estrada da Palestina-Juquitiba,SP.

A medida que a listagem florística aumentava, foi dada atenção de se coletar novas espécies arbustivo-arbóreas em fragmentos de vegetação mais conservados e em bordas de estrada, objetivando-se a aumentar o conhecimento sobre a flora regional.

Esse é um projeto que auxilia nas atividades de produção de mudas do Viveiro Maria Tereza, na medida em que ajuda na identificação das espécies nativas úteis para produção de mudas; assim como facilita na localização dessas matrizes na região.

O projeto é conduzido pelo Viveiro Maria Tereza, em parceria com o Instituto iBiosfera. Estão sendo feitas expedições em áreas ainda não visitadas dentro da região da Bacia do Alto Juquiá, como nas serrarias de São Roque (Serra de São Sebastião) e arredores, na crista da Serra do Mar e no início da Serra do Cafezal, no distrito de Barnabés, em Juquitiba. Através dessas expedições, estão sendo registradas novas espécies para o conjunto já existente.

A suficiência amostral ainda não foi atingida. Até o momento, foram catalogadas 252 espécies de árvores e arbustos nessa região; número este, considerado subestimado para afirmar com certeza o potencial de riqueza dessa sinúsia florestal da Mata Atlântica.


Por dentro do projeto ▲ topo

Com base nos estudos florísticos, fitossociológicos e expedições de coleta de material botânico, foram registradas até o momento 252 espécies arbustivo-arbóreas na região da Bacia do Alto Juquiá (Tabela 1).

Desde 2005, foram visitadas florestas secundárias, muito comum na região, resultado da exploração da mata para a produção de carvão nas décadas de 50 a 70; fragmentos de florestas bem conservadas, raramente encontrados nas propriedades particulares; topos de morro e capoeiras.

Tais expedições foram efetuadas tanto em áreas próximo à vertente litorânea, nas imediações da crista da Serra do Mar (Faz. Velloso, Estrada da Palestina), quanto na Serra de São Sebastião (Serraria de São Roque, à 1000 m de altitude).

A Bacia do Alto Juquiá está inserida na Sub-bacia do Juquiá (a montante da Represa do França), tributário do Rio Ribeira de Iguape. A vegetação, segundo a classificação do IBGE, é a de Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica s.s.). Entretanto, visitas nos arredores da Serra de São Roque possibilitaram o registro de espécies típicas da Floresta do Interior, denominada de Floresta Estacional Semidecidual pelo IBGE, tais como: Gochnatia polymorpha (vassourão), Symplocos pubescens, Ouratea cf salicifolia, Aspidosperma quirandy (peroba) e Aspidosperma polyneuron (Peroba-rosa). A existência dessas espécies na área indicam uma alteração do ambiente, possibilitando a instalação de muitas espécies vindas do interior.

Dessa maneira, é esperada uma riqueza de espécies muito elevada na região por conta da co-existência de uma área ecotonal, onde as espécies típicas da Floresta Ombrófila Densa co-existem com as espécies da floresta do interior. Destaca-se o registro de um indivíduo adulto de peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron), considerado madeira de lei, na Fazenda Sama em Ibiúna.

Deve ser destacado o registro de uma canela ainda não citada para o estado, segundo o especialista da família das canelas (Lauraceae), Dr. João Batista Baitello do Instituto Florestal. A espécie em questão é Persea rufotomentosa, típica das serras do Brasil Central.

De maneira geral, as formações secundárias da região, via-de-regra, apresentam em sua composição as seguintes espécies, sendo as que se destacam na comunidade: Manacá-da-serra (Tibouchina pulchra), Maria-mole (Clethra scabra), Camboatã (Matayba guianensis), Capororoca (Rapanea umbellata), Embaúba (Cecropia pachystachya) e entre outras.

Já os fragmentos bem conservados na região revelam uma floresta muito estruturada com uma composição de espécies bem heterogênea, composta por integrantes das seguintes famílias: Sapotaceae, Apocynaceae, Sabiaceae, Lauraceae, Myrtaceae, Caesalpinoideae. Essas formações possuem espécies, em sua maioria ameaçadas ou em vias de, considerando sua relevância à industria madeireira e exploração pelos próprios moradores locais. Destacamos as típicas: Guapeva-de-folha-graúda (Pouteria bullata), Canela-preta (Ocotea catharinensis), Pau-oleo (Copaifera trapezifolia), Sassafrás (Ocotea odorifera), Quineira (Quina magallano-gomezii), Cabreúva (Myrocarpus frondosus), Cedro-rosa (Cedrela fissilis) e jatobá-mirim (Hymenaea courlbaril var altíssima), essas, ameaçadas de extinção.

Além de grumixava (Micropholis crassipedicellata), Pradosia lactescens, Ecclinusa ramiflora, Licania kunthiana e guatambú (Aspidosperma olivaceum), como elementos principais que caracterizam trechos de florestas bem conservadas.

A clara identificação dessas espécies é algo de suma importância afim de se verificar o prosseguimento do processo sucessional em formações secundárias, já que a presença das espécies acima citadas se regenerando no local é pré-condição para que o processo de regeneração florestal seja feito por completo.

Elementos raros na região são úteis de serem citados, considerando sua importância na caracterização da paisagem como um todo. Foi amostrado na estrada da Palestina em formação secundária, um indivíduo adulto de jequitibá (Cariniana estrellensis), típico do interior. Na estrada dos Carmos, 2km antes da empresa Canoar, foi registrada a presença de um indivíduo adulto de Humiriastrum dentatum, raro em sua área de ocorrência. Na propriedade da CANOAR e ao longo da Mata Ciliar do Rio Juquiá, entre a empresa e a Represa do França, pode ser observada a existência de indivíduos adultos de garapeira (Apuleia leiocarpa), espécie de ampla distribuição no Neotrópico, mas muito encontrada nas formações abertas da Amazônia. A existência dessa espécie na região, além de muitas outras acima citadas, só justificam a necessidade de preservação dos fragmentos florestais, que ainda existem na região do Alto Juquiá, e que se mostram cada vez mais impressionantes, segundo a sua composição de espécies de árvores.

Como já foi citado, o projeto dará maior atenção a partir de agora nas expedições e novos estudos fitossociológicos em áreas pouco visitadas.



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Inventário Botânico do Alto Juquiá


Equipe ▲ topo
  • Rodrigo Trassi Polisel.
  • Willian F. Villela
 
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