Desertificação é "a degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas", sendo que, por "degradação da terra" se entende a degradação dos solos, dos recursos hídricos, da vegetação e a redução da qualidade de vida das populações afetadas.
Essa definição foi elaborada na ECO-92, onde também foi aprovada a negociação de uma Convenção Internacional sobre o tema. A Convenção foi realizada de janeiro de 1993 a 17 de julho de 1994, tratando o assunto como um problema global. Definiu-se então, dia 17 de julho, o DIA MUNIDAL DE LUTA CONTRA A DESERTIFICAÇÃO.
Desde 26 de dezembro de 1996, há uma Convenção Internacional de Combate à Desertificação assinada por mais de 100 países e que é implementada através dos Anexos de Aplicação Regional, dentre os quais destaca-se aquele dedicado à América Latina e Caribe.
A desertificação ocorre em mais de 100 países (cerca de 60 mil quilômetros em todo o mundo). Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Peru e México são os países da América do Sul com problemas de desertificação.
Cerca de 13,52% do território brasileiro é considerado semi-árido, o que contribuiu para que o processo de desertificação se intensificasse. Bahia (9,3% do Estado em processo de desertificação), Pernambuco (25% do Estado, atingindo os municípios de Itacombira, Cabrobó, Salgueiro e Parnamirim.), Piauí (região de Chapadas do Vale do Gurgéia, município de Gilbués.), Sergipe, (223Km²), Rio Grande do Norte (40% do Estado), Ceará (Município de Irauçuba), Paraíba (49,2% abrangendo 68 municípios), Amazônia, Rondônia, Paraná., Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais são os estados que mais sofrem com a desertificação.
As conseqüências da Desertificação, não são apenas no âmbito ambiental, mas também social, econômico e político. No aspecto ambiental, a desertificação reduzirá as áreas próprias para cultivos, a produção das áreas afetadas, e dos recursos hídricos. Além de aumentar as cheias, a poluição hídrica e do ar, aumento de areia nas áreas produtivas, comprometendo a biodiversidade.
As conseqüências quanto aos aspectos sociais e econômicos, começa com a redução da produção de alimentos, levando a uma taxa maior de desnutrição, crescimento da pobreza, menor qualidade de vida, aumenta da mortalidade infantil, aumento das desigualdades sociais eclodindo na migração para os grandes centros urbanos, agravando os problemas socioambientais das metrópoles (desemprego, moradia, saneamento, violência...). Calcula-se que a DESERTIFICAÇÃO e a seca causem perdas econômicas que podem chegar a US$ 800 milhões só no Brasil.
O processo de desertificação é mais grave no Sahel (entorno do deserto do Saara), onde a maioria das espécies nativas de grandes mamíferos está ameaçada de extinção.
Podemos minimizar e tentar recuperar os efeitos da desertificação através da conservação do solo e da água, das florestas, evitar desmatamentos, queimadas, uso de agrotóxicos, sensibilização da população, principalmente das comunidades rurais.
Pesquisas nesta área, discussões sobre indicadores de desertificação, Programas Nacionais e Internacionais de Combates e Redes com a RIOD- Rede Internacional de ONGs sobre Desertificação que permite às organizações não governamentais e organizações comunitárias de base vinculadas ao combate da Desertificação, trocar informações e coordenar suas ações em escala local, nacional, regional e mundial.
Ações como estas são essenciais na luta contra a Desertificação.
O que você pode fazer para ajudar?
A questão da desertificação não se resolverá com atitudes individuais. É necessário que governos, ONG´s, comunidades trabalhem juntos nesta problemática. E você pode se filiar a essas organizações, participar de debates, mobilizar a sociedade para se envolver sobre este assunto, que afetará a todos.