Podemos começar essa reflexão conjunta pela definição do seu oposto, ou seja, "hábito sustentável". Um "hábito" é aquela ação ou comportamento que se tem rotineiramente. Dizem que se você realiza uma ação durante vinte e um dias consecutivos você adquiriu um hábito. Vamos agora ao "sustentável". Podemos dizer que "sustentável" é algo que pode ser continuado sem prejudicar a qualidade dos envolvidos, ou seja, de tudo que está ao seu redor, preocupando-se com os pilares da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Hoje já são até considerados mais alguns pilares como: cultural e realidade/aceitação local. Então, um "hábito insustentável" seria uma atividade que realizamos e prejudicamos a qualidade daquilo que está à nossa volta, conseqüentemente, deixando esse ambiente não-saudável e desequilibrado para o próximo.
Quando tentamos buscar a origem de todo esse processo que nos levou a praticar “hábitos insustentáveis”, iniciamos um trabalho de reflexão que pode ser lento e, para alguns mais sensíveis, muito dolorido. Um exemplo é considerarmos a hipótese da disponibilidade e a priorização do nosso sagrado tempo. Normalmente, no nosso dia-a-dia, assim como os administradores do nosso planeta nos mais diversos níveis locais, procuram nos desenvolver a qualquer custo, visando somente à produção, atingir índices de desenvolvimento gananciosos e o enriquecimento individual (exclusivamente o pilar econômico da sustentabilidade), atitude que nos leva a cometer erros incríveis e, muitas vezes, irreversíveis. É o famoso progresso que, ocorrendo dentro de um sistema capitalista, pode levar ao colapso se não for bem administrado.
Atuando de maneira insustentável, chegamos a algumas conseqüências mensuráveis e imensuráveis, tanto em amplitude como em intensidade e capacidade de reflexo direto e indireto em nossas vidas. Criamos riscos nas mais diversas escalas, seja dentro de casa com a proliferação de vetores em conseqüência do lixo que jogamos na rua causando enchentes, como até no sentido global com a emissão de poluentes destruindo a camada de ozônio, aquecendo o planeta, derretendo as geleiras e elevando o nível do mar.
Quando dizemos que um determinado hábito é insustentável, queremos dizer que, ele por si só, não tem condições de ser continuado considerando um médio e/ou longo prazo, pois algum tipo de recurso se esgotará. Para chegarmos nesse nível de administração planetária ou local, devemos conciliar economia, sociedade e meio ambiente. Ou ainda, dentro dos sistemas de gestão local, envolver: primeiro (público), segundo (privado) e terceiro (sociedade civil) setores.
Quando todos os atores da sociedade interessados em se desenvolver participam desse processo, o planejamento é muito mais completo e consegue agregar olhares deixados de lado no momento da ansiedade pelo progresso.
Como exemplo de práticas de desenvolvimento sustentável, temos os processos de Agenda 21 Locais, uma ferramenta de gestão participativa onde entidades de todos os setores podem contribuir de forma democrática com o desenvolvimento local, pensando no maior número de ações que levem ao, não somente sonhado, desenvolvimento sustentável.
O que você pode fazer para ajudar?
Buscando solucionar, ou, pelo menos, minimizar algumas conseqüências, todos os nossos hábitos, por mais simples que sejam, devem passar por profunda crítica interna sobre seu desenvolvimento, considerando que muitas regras nos foram impostas sem a possibilidade de reflexão prévia. Precisamos ter a certeza de que todos os atores desse nosso meio ambiente não serão afetados por conseqüência de ações antrópicas, o que exige uma atenção da qual acreditamos que não dispomos, inclusive com os nossos próprios semelhantes.
Um hábito insustentável de hoje fará com que algo ruim retorne para você amanhã, impreterivelmente. É a famosa Teoria do Caos ou o efeito borboleta. Por exemplo, o uso do cigarro onde, numa tacada, ou tragada, só é possível prejudicar seu corpo diretamente, ingerindo sua fumaça se seus diversos compostos químicos; e indiretamente, quando o resíduo gerado for lançado no meio ambiente. A alimentação onívora também é outra causadora de problemas ambientais graves, seja com as queimadas para fins de pasto, como a emissão de gases aceleradores da destruição da camada de ozônio, oriunda do processo digestivo do gado. São hábitos que ninguém pára pra pensar, bloqueia o trabalho do cérebro acomodando-se no argumento de que tudo isso faz parte da nossa cultura!
Resumindo, caso exista uma receita para chegarmos nesse tão sonhado resultado, faço uma sugestão de ingredientes: bom senso, respeito, justiça e preocupação com o próximo, desde a presente até as futuras gerações.
“Ser sustentável é OLHAR uma torneira pingando e VER fome”